Quarta, 14 Março 2018 14:13

Estudantes e docentes estarão envolvidos em atividades do fóruns Mundial e Alternativo Mundial da Água, que ocorrem em Brasília na próxima semana

 

Lavar as mãos, tomar banho, se hidratar, limpar a casa, irrigar plantações, produzir alimentos e bens de consumo, gerar energia. Essas são apenas algumas das inúmeras atividades cotidianas que dependem de um dos recursos mais estimados no planeta: a água. Apesar de essencial para manutenção da vida, a situação dos recursos hídricos tem se mostrado cada vez mais preocupante em todo o mundo.

 

Atualmente, o Brasil é um dos países com maior disponibilidade de água doce no planeta, mas enfrenta desafios para administrar os atuais impactos sobre o recurso. O aumento da demanda, a distribuição desigual das bacias hidrográficas pelo território, o uso em atividades econômicas variadas, a qualidade comprometida dos serviços de saneamento e da própria água que chega aos consumidores, as alterações nas dinâmicas de precipitação, além da falta de planejamento na gestão hídrica são apenas alguns dos fatores que têm acenado para um cenário de crise no país.

 

No Distrito Federal, a redução drástica do volume dos principais reservatórios de abastecimento desde 2016 marcou o pior quadro de escassez de água na história. Embora haja esforços para aumentar a capacidade de produção do recurso e reduzir o consumo, a situação ainda não foi contornada. Uma das hipóteses para a concretização do cenário é a alteração no regime de chuvas na região, problema que se estende a outras áreas de Cerrado. As precipitações no bioma tiveram redução de 8,4% em 33 anos (1977-2010), segundo pesquisa de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais (PGEFL) da UnB.

 

É em meio a esse cenário que, a partir deste fim de semana, a capital federal centralizará as discussões mais importantes do planeta sobre a água, ao sediar o 8º Fórum Mundial da Água (FMA) e o Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA). Os eventos, que ocorrem em datas paralelas, contarão com a participação de docentes e estudantes da UnB para discutir o presente e o futuro do recurso fundamental, a partir de abordagens distintas. 

 

FMA – É a primeira vez que um país do hemisfério sul recebe uma edição do Fórum Mundial da Água, um dos maiores e principais eventos em nível internacional para diálogo e estabelecimento de compromissos políticos relacionados à água. Organizado pelo Conselho Mundial da Água junto aos governos federal e distrital, o evento é norteado pelo tema Compartilhando água. A programação vai de 18 a 23 de março, com atividades no Centro de Convenções Ulysses Guimarães e no Estádio Nacional de Brasília, o Mané Garrincha.

 

Professores da Universidade têm presença confirmada em espaços temáticos do fórum, e estão envolvidos na organização dessas e de outras atividades relacionadas, definindo temas, tópicos e sessões, além de participarem como palestrantes. Membro da comissão responsável pela preparação do programa temático, o professor Dirceu Reis, do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental (ENC) da UnB, destaca a importância da inserção da comunidade acadêmica no evento. “É como se estivéssemos colocando a voz da UnB dentro das discussões de como o fórum tem que ser organizado e o que deve ser discutido sobre este tema tão fundamental”, afirma.

 

Além disso, o docente considera este um espaço de interlocução com profissionais atuantes na área. “Os professores que estão participando da organização estão tendo uma comunicação mais ativa e efetiva com pessoas que lidam com a gestão da água no mundo todo."

 

Outra intervenção da UnB no espaço ocorrerá no Mercado de Soluções, ambiente de acesso gratuito que será montado no estádio Mané Garrincha, como parte da Vila Cidadã. No local, serão apresentadas propostas de soluções para a questão da água, amparadas por tecnologias socioambientais. Docentes da Universidade estarão com dois estandes no local para a exposição de seus projetos. Estudantes de graduação e pós-graduação também terão espaço em atividades do FMA, participando como relatores e, posteriormente, replicando a experiência em sala de aula.

 

O projeto Conecta Doze, desenvolvido pelo Parque de Inovação e Sustentabilidade do Ambiente Construído (Pisac) da UnB, em parceria com o Centro Internacional de Água e Transdisciplinaridade (Cirat), também selecionou doze estudantes de graduação da Universidade e de outras instituições do DF para participarem de ação durante o fórum. Programada para o dia 19 de março, das 14h às 17h, na Vila Cidadã, a atividade visa a integração de alunos da região com os de outros países, em torno do debate sobre a participação na gestão da água. A iniciativa será realizada simultaneamente em outras cidades do mundo, com transmissão por videoconferência.

 

“Teremos a oportunidade de demonstrar como acontece a gestão da água em diferentes locais, quais são os gargalos e pontos de alavancagem", explica a professora Vitória Ferrari, vice-coordenadora do Laboratório do Ambiente Construído, Inclusão e Sustentabilidade (Lacis), envolvido na ação. Os relatos e as soluções apontadas contribuirão para aprimorar o conhecimento dos alunos sobre o assunto "Queremos trocar informações para enriquecer as experiências de ambos os lados, em um processo colaborativo e cooperativo para melhorar a capacidade de gestão hídrica e a formação de todos os participantes sobre esse recurso, que é finito", detalha. 

 

FAMA – Representantes da comunidade acadêmica também estão envolvidos na organização do Fórum Alternativo Mundial da Água, que será realizado no mesmo período que o 8º FMA. Com o mote Água é direito, não mercadoria, as atividades acontecerão nos dias 17, 18 e 19 de março no campus Darcy Ribeiro da UnB, e de 20 a 22 de março no Parque da Cidade.

 

Nesta edição, serão discutidos problemas relacionados à água e ao saneamento como direito fundamental, em busca de soluções que representem sustentabilidade e segurança hídrica. Também serão debatidos temas como A água como direitoEstratégias do capital sobre a água e Projeto dos povos para a água.

 

O professor Perci Coelho, do Departamento de Serviço Social (SER) da UnB, coordena o projeto de extensão O grito social das águas urbanas de Planaltina, Paranoá e Itapoã, que articula movimentos sociais e ambiente acadêmico na luta por direitos socioambientais. Para ele, o Fórum Alternativo é uma oportunidade de diálogo entre diferentes áreas de conhecimento em que a UnB é referência e sujeitos diretamente atingidos por tragédias e pela crise hídrica. “A Universidade de Brasília é uma instituição pública sensível à água, ou seja, que se engaja na luta pela defesa deste recurso como direito, e não como mercadoria”, destaca.

 

Perci é um dos representantes da UnB na organização do FAMA. Para ele, "o mercado é incapaz de solucionar o problema do acesso à água potável”, por isso, o potencial do evento em apresentar alternativas ligadas a tecnologias alternativas de pequeno porte, por exemplo, é um grande diferencial. “As discussões que realizaremos e as soluções que vamos propor não serão necessariamente técnicas, mas estarão relacionadas a um manifesto de contraposição política ao modelo de desenvolvimento econômico que coloca a vida e a água em segundo plano”, define.

 

A professora Cristina Célia Brandão, do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental (ENC), também está envolvida na preparação da UnB para o FAMA. De acordo com ela, as demandas levadas ao fórum são questões que estão presentes no dia a dia das populações mais carentes e menos favorecidas com o acesso à água. "As discussões no Fórum Alternativo são trazidas pelos próprios movimentos sociais e organizações não governamentais que trabalham com o cotidiano das pessoas que já sofrem, hoje, com a escassez desse recurso”, completa.

 

Antes de Brasília, em 2018, edições de fóruns mundiais alternativos já foram realizados na Cidade do México, em 2006, em Istambul, em 2009, e em Marselha, em 2012. O FAMA conta com a participação de organizações como Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e Central Única dos Trabalhadores (CUT).

 

É possível acessar a programação geral pelo site do evento ou pelo aplicativo para celular do FAMA, disponível para Android. Para as mais de 150 atividades autogestionadas, as inscrições podem ser feitas por meio do Sistema de Extensão (Siex) da UnB.

 

PROJEÇÃO – A fim de aproximar a comunidade acadêmica das pautas levadas tanto ao FMA quanto ao FAMA e repercuti-las em sala de aula, um projeto de extensão tem desenvolvido atividades integradas aos fóruns. A iniciativa está sendo executada com recursos da Agência Nacional de Águas (ANA).

 

Além de prever apoio em infraestrutura para a execução das atividades do FAMA na UnB, o projeto envolve a realização de debates e eventos técnicos e científicos, ao longo do ano, sobre o legado deixado por ambos os eventos. Diferentes olhares sobre tema da água serão abordados ainda em uma mostra de trabalhos a ser organizada nos próximos meses na Biblioteca Central (BCE).

 

A Universidade também apoiará a produção de vídeo sobre os preparativos para a 5ª Conferência Nacional Infantojuvenil de Meio Ambiente, que será realizada em junho e terá a água como tema central.

 

Leia mais:

>> O negócio das águas do rio São Francisco, por Carlos Potiara e Rafaela Alves

>> O que esperar do 8º Fórum Mundial da Água?, por Henrique Marinho Leite Chaves

 

 

 

*com colaboração de Guilherme Alves/DEX.

 

ATENÇÃO – As informações, as fotos e os textos podem ser usados e reproduzidos, integral ou parcialmente, desde que a fonte seja devidamente citada e que não haja alteração de sentido em seus conteúdos. Crédito para textos: nome do repórter/Secom UnB ou Secom UnB. Crédito para fotos: nome do fotógrafo/Secom UnB.

Sexta, 02 Março 2018 00:53

Com temperaturas glaciais, de até 24 graus negativos em algumas regiões da Alemanha e de -29º C durante a noite na Estônia, as autoridades fizeram advertências sobre a população mais vulnerável

 

Paris, França - A Europa seguia afetada nesta quarta-feira (28/2) pela onda de frio polar que matou pelo menos 24 pessoas e cobriu de neve algumas praias do Mediterrâneo. Com temperaturas glaciais, de até 24 graus negativos em algumas regiões da Alemanha e de -29º C durante a noite na Estônia, as autoridades fizeram advertências sobre a população mais vulnerável, como idosos e moradores de rua. Várias cidades criaram refúgios de emergência e assistência para os mais necessitados.
 
A Polônia é o país que registra mais mortes em consequência da onda de frio, com nove vítimas fatais, seguida pela Lituânia, com cinco, e França, com quatro, incluindo um homem de 90 anos que foi encontrado sem vida na terça-feira na entrada de um asilo.
 
 
Três pessoas morreram na República Tcheca e duas na Romênia, incluindo uma mulher de 83 anos que foi encontrada na rua, coberta de neve. Um morador de rua faleceu na Itália. Nesta quarta-feira, a previsão para a França é de 12 graus negativos na região norte do país e -6ºC no sul.
 
A Espanha deve registrar mais nevascas, incluindo a Catalunha, onde o transporte escolar foi cancelado. Em cinco ilhas do arquipélago das Canárias as autoridades suspenderam as aulas por um alerta de fortes ventos. Enquanto no Ártico são registradas temperaturas acima de zero, um recorde de máxima, a onda de frio que afeta a Europa levou neve inclusive a ilha do Mediterrâneo como Córsega e Capri.
 
Pedido de cobertores

Algumas cidades belgas, como Etterbeek e Charleroi, autorizaram a polícia a prender os moradores de rua que se recusam a seguir para os abrigos. A Cruz Vermelha, que mobilizou equipes de emergência em toda a Europa, fez um apelo para que as pessoas fiquem atentas aos vizinhos e parentes. "O simples fato de bater na porta de alguém para comprovar que tem todo o necessário pode fazer uma grande diferença. Pode, inclusive, ser a diferença entre a vida e a morte", afirmou a organização.
 
A Cruz Vermelha também iniciou uma campanha para arrecadar 10.000 cobertores na França. De acordo com um censo realizado na semana passada, pelo menos 3.000 pessoas dormem nas ruas de Paris.
 
'Urso siberiano'

Na Inglaterra, onde uma forte nevasca afetou Londres na terça-feira, os tabloides batizaram a onda de frio de "A Fera do Leste" , enquanto os holandeses optaram por "urso siberiano", que para os suecos é o "canhão de neve". A companhia aérea British Airways cancelou 60 voos com pouso ou decolagem do aeroporto de Heathrow.
 
A meteorologia britânica informou que algumas comunidades rurais podem ficar isoladas durante vários dias pela neve e alertaram sobre a possibilidade de "longas interrupções no fornecimento de energia elétrica e de outros serviços como as redes de telefonia".
 
A Itália também sofre com as temperaturas gélidas. Muitas escolas e permaneceram fechadas e o serviço nacional de ferrovias registrou interrupções pela falta de equipamentos para retirar a neve, o que obrigou alguns funcionários a limpar as vias com as mãos. A empresa russa Gazprom, principal fornecedora de gás na Europa, afirmou que nos últimos seis dias enviou quantidades recordes ao continente, com um pico de 667 milhões de metros cúbicos na segunda-feira.
 
 
 
Sexta, 02 Março 2018 00:42

Uma das figuras mais polêmicas e - ao mesmo tempo - mais populares da Itália, protagonista de inúmeros escândalos sexuais, judiciários e políticos, Silvio Berlusconi retorna ao centro da política, aos 81 anos, como o grande "ressuscitado", para dar "nova" vida à direita italiana.

 

"Tem mais vidas do que um gato", reconheceu Matteo Renzi, líder do Partido Democrático e principal rival nessa campanha política.

 

O magnata, um "self-made man" que chegou a ser uma das maiores da Europa, ressurgiu com o cabelo tingido e o rosto repaginado, após várias cirurgias plásticas, liftings e retoques.

 

"É um combatente excepcional. Sobreviveu a tudo, tanto pessoal quanto politicamente", comentou o cientista político Giovanni Orsini.

 

O antigo Cavaliere, cuja morte política foi várias vezes decretada, deixou para trás os escândalos sexuais e na Justiça protagonizados desde que foi primeiro-ministro em 1994 e, agora, apresenta-se como o salvador da pátria, bom e sábio, o homem da estabilidade, um árbitro com experiência para guiar o país "da sombra".

 

Da sombra porque foi inabilitado pela Corte de Justiça Europeia para exercer cargos políticos, e o Senado italiano o expulsou em 2013, depois de a Justiça tê-lo condenado em definitivo por fraude fiscal em um de seus muitos processos.

- A ressurreição -

Com sua ressurreição, Berlusconi aspira a manobrar tanto a economia quanto a política, salvar seu império financeiro em crise e impedir a vitória da sigla antissistema Movimento Cinco Estrelas - "uma seita", como ele chamou - entre os grandes favoritos, explicou à imprensa o também cientista político Massimo Cacciari.

Apesar da idade e dos problemas de saúde após uma delicada operação no coração, Berlusconi quer ser o pai fundador de uma federação de centro direita, que una desde os defensores dos animais até seus aliados da Liga Norte, a legenda mais xenófoba da Itália e os Irmãos da Itália, neofascista.

O líder conservador, que esteve no poder de 2001 a 2011, com uma interrupção de dois anos entre 2006 e 2008, sabe chegar à alma do italiano médio, ao qual prometeu um salário de 1.000 euros por mês e a expulsão de 600 mil imigrantes em situação ilegal.

Com um estilo caracterizado por ataques a seus inimigos e um ardoroso anticomunismo, Berlusconi se viu obrigado a renunciar ao cargo de premiê em novembro de 2011, desacreditado por uma crise econômica que colocou a Itália à beira de um resgate internacional.

- Simpatia e cara de pau -

Sua arma secreta? Simpatia e cara de pau. Um dia pode dizer exatamente o contrário do que disse na véspera e sabe mentir, apesar de saber que todos sabem que ele mente.

Nascido em 29 de setembro de 1936 em uma abastada família de Milão (norte), Berlusconi mostrou sua vocação para os negócios desde a adolescência, quando estudava no Colégio dos Salesianos.

Animador de estabelecimentos noturnos no balneário de Rimini durante a juventude, capaz de fascinar turistas durante os cruzeiros com baladas românticas, Berlusconi sempre contou com a lealdade de um grupo de amigos íntimos - os quais lhe devem suas fortunas atuais.

Vendedor de aspirador no final dos anos 1950, Berlusconi se formou em Direito em 1961 e se dedicou ao setor da construção, começando, assim, uma carreira sem obstáculos que levantou uma série de questões. Nunca respondidas, aliás.

- Títulos e traições -

Condecorado como "Cavaliere del Lavoro" (Cavaleiro do Trabalho) aos 41 anos, perdeu o título após a condenação, em 2013, a quatro anos de prisão por fraude fiscal no caso Mediaset.

Apesar das críticas e das controvérsias, Berlusconi foi durante quase duas décadas o "líder máximo" da direita italiana.

Seu último mandato, de 2008 a 2011, esteve marcado pelos excessos e pelos abusos do magnata no exercício do poder, que suscitaram protestos da imprensa, da indústria e até da Igreja católica italiana.

Sempre impecável em sua apresentação, teve uma vida amorosa tumultuada, com dois casamentos e cinco filhos, além de várias "amigas", companheiras e amantes, algumas menores de idade. Entre elas, está a marroquina Ruby, uma jovem prostituta que costumava participar das célebres noitadas ao ritmo de "bunga bunga" em sua mansão em Milão.

* AFP

Quinta, 01 Março 2018 12:14

Apesar das críticas internacionais, controversa legislação que criminaliza a atribuição de culpa aos poloneses entra em vigor, mas ainda não se sabe em que extensão será de fato aplicada.

 

A legislação polonesa sobre o Holocausto, que entra em vigor nesta quinta-feira (1°/03), provocou fortes reações internacionais, especialmente em Israel. Com a lei, alegações que, "de forma aberta e contrária aos fatos", atribuam à nação polonesa ou ao seu povo culpa por crimes do Terceiro Reich poderão ser punidas multas e prisão de até 3 anos. No entanto, isso não se aplica à produção artística ou científica.

 

Apesar das críticas, a lei foi aprovada em regime de urgência pelo Senado e assinada pelo presidente polonês, Andrzej Duda. Porém, ele expressou compreensão pelas críticas israelenses e enviou a legislação para avaliação do tribunal constitucional da Polônia. Um veredicto deve ser conhecido em até dois meses. Reformado em 2015, o tribunal é tido como alinhado ao governo conservador.

 

Os israelenses receiam que o governo nacional-conservador em Varsóvia queira negar qualquer envolvimento dos poloneses na denúncia e entrega de judeus às forças de ocupação alemãs. Também a data da aprovação da lei, em 26 de janeiro, véspera do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, foi tomada como provocação.

 

A tentativa desastrada do primeiro-ministro Mateusz Morawiecki de defender a legislação na Conferência de Segurança de Munique piorou ainda mais as coisas. Indagado por um jornalista, Morawiecki, que é o historiador, disse que, pela nova lei, não seria um crime dizer que "houve perpetradores poloneses, da mesma forma que também houve perpetradores judeus, russos, ucranianos e não somente alemães."

 

Em reação, o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, comentou que o primeiro-ministro polonês falava como um típico negador do Holocausto e acusou Morawiecki de falta de sensibilidade perante a tragédia sofrida pelos judeus.

Na mesma noite após o escândalo, o gabinete do primeiro-ministro polonês publicou uma declaração afirmando que as palavras de Morawiecki não seriam de forma alguma uma negação do Holocausto, mas deveriam ser entendidas como "um apelo a um debate honesto sobre os crimes praticados contra os judeus, respeitando os fatos e independentemente da nacionalidade" dos criminosos.

 

Mas a Polônia está visivelmente se esforçando para aparar arestas. Um grupo de especialistas polonês-israelense foi criado para assegurar a aproximação e o esclarecimento. Nesta semana, uma delegação polonesa de alto escalão visitou Israel. O jornal Jerusalem Post escreveu que Varsóvia teria assegurado aos israelenses, através de canais diplomáticos, que a lei vai ser "congelada".

 

Oficialmente, o ministro polonês da Justiça, Zbigniew Ziobro, disse em entrevista à agência de notícias polonesa PAP que a decisão do tribunal constitucional ajudará os promotores na aplicação da nova lei. Ziobro assegurou, ao mesmo tempo, que "não haverá penalidades para historiadores, cientistas ou jornalistas" e que a nova legislação "deverá proteger o Estado e o povo polonês como um todo contra falsas acusações de cumplicidade em crimes alemães".

 

Apesar disso, o professor de direito Artur Nowak-Far, da prestigiada Escola de Econômica de Varsóvia, disse considerar provável que o tribunal constitucional anule a legislação. "A lei apresenta deficiências legais significativas, pois, no direito penal, os delitos criminais devem estar bem definidos", explicou o jurista.

 

O vice-editor-chefe do jornal conservador Rzeczpospolita, Michal Szuldrzynski, também disse ver na formulação imprecisa a causa das reações que a lei criou. Para ele, as intenções por trás da legislação seriam compreensíveis, pois se trata da verdade histórica e de formulações falsas, como "campos de extermínio poloneses", que são usadas aqui e ali pela imprensa e opinião pública internacionais.

 

Szuldrzynski enfatizou que a lei foi aprovada legalmente, ou seja, que ela entra em vigor a partir de 1º de março. "Mas acho que os promotores não terão pressa em examinar as queixas criminais. E acredito menos ainda que qualquer corte venha a proferir um veredicto antes que o tribunal constitucional se pronuncie sobre o caso", afirmou, acrescentando que os governos anteriores também buscaram defender a verdade histórica.

 

Nowak-Far, que ocupou o cargo de vice-ministro do Exterior no governo liberal de Donald Tusk, disse não concordar. "As leis penais, particularmente as leis penais imprecisas, são contraproducentes", enfatizou. Para ele, no entanto, o pior de tudo isso é que formulações como "campos de extermínio poloneses" só ganharam realmente notoriedade pública devido às atuais controvérsias políticas.

 

 

 

Quarta, 28 Fevereiro 2018 16:15

O Presidente do Afeganistão, Ashraf Gani, propôs hoje aos talibãs a possibilidade de se formarem como partido político no quadro de um novo processo de negociação para resolver 16 anos de conflito.

 

Na abertura da segunda ronda do Processo de Cabul, um mecanismo de acompanhamento internacional que procura alcançar um plano de paz para o Afeganistão, o chefe de Estado sublinhou que o Executivo está disposto a autorizar aos talibãs a abertura de um gabinete em Cabul.

 

"Em nome do Governo de Unidade Nacional proponho aos talibãs um plano de paz em que fiquem assegurados os supremos interesses do país e os direitos de participação a todos os cidadãos", disse o Presidente afegão.

 

O processo de paz proposto por Gani funciona em três fases e propõe criar "um marco político e instaurar um cessar-fogo".

 

"Os talibãs deverão ser reconhecidos oficialmente como partido político", afirmou.

 

A proposta prevê a libertação de prisioneiros, relocalização de famílias e acesso aos meios de comunicação. "Devem tomar-se medidas para alcançar a confiança e preparar o caminho para a realização de eleições livres", disse.

Gani disse que o Governo pretende uma paz "real e duradoura" com os talibãs e, por isso, frisa a importância de conversações "sem pré-condições e sem restrições".

 

O Presidente mostra-se também disposto a apoiar uma revisão constitucional - "caso venha a ser necessário" - mas vincou que a "carta magna é lei" acrescentando que os direitos das mulheres têm de ser respeitados."

 

Deve conseguir-se apoio internacional para o processo de paz", afirmou. O Presidente do Afeganistão referiu-se também à formação de uma delegação de mulheres e da sociedade civil, no quadro do Alto Conselho para a Paz (organismo governamental).

 

O Processo de Cabul foi lançado em junho de 2017 como iniciativa do Executivo para chamar os grupos armados à mesa das negociações que devem ser acompanhadas por representantes de 25 países e organizações internacionais, incluindo as Nações Unidas e a Aliança Atlântica.

 

O Afeganistão enfrenta atualmente uma das fases mais sangrentas do conflito, desde a saída da missão da NATO, em 2015. Em agosto do ano passado, Donald Trump anunciou o aumento do número de tropas norte-americanas no Afeganistão até aos 14 mil efetivos.

 

Washington defende também uma postura mais dura em relação ao Paquistão, país que acusa de apoiar os grupos talibãs.

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