SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar está em queda nesta segunda-feira (25), com investidores demonstrando otimismo quanto a um possível acordo de paz entre Irã e Estados Unidos.
Há a possibilidade da trégua ser selada ainda hoje, segundo autoridades norte-americanas. O Irã, porém, ainda vê acordo distante.
Às 15h43, o dólar recuava 0,2%, a R$ 5,017, em linha com o movimento no exterior. Já a Bolsa avançava 0,68%, a 177.389 pontos, em dia de baixa liquidez por conta de um feriado nos Estados Unidos.
No domingo (24), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o bloqueio norte-americano no estreito de Hormuz continuaria em vigor enquanto um acordo não fosse “alcançado, certificado e assinado”.
Horas depois, na manhã desta segunda, Trump voltou a subir o tom ao estipular limites para a negociação no Oriente Médio. “O acordo com o Irã será grande e significativo, ou não haverá acordo”, escreveu na sua rede social Truth Social.
Segundo o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, há uma possibilidade de o acerto ser anunciado ainda nesta segunda. “Temos uma proposta bastante consistente [para abrir o estreito de Hormuz]”, declarou em Nova Déli.
“[A proposta] conta com muito apoio no Golfo…Todos os países com quem temos debatido entendem que não é só uma proposta muito razoável e que é o correto para o mundo”, indicou o secretário.
O otimismo dos EUA, porém, não é o mesmo entre os negociadores do Irã. “É verdade que chegamos a uma conclusão em grande parte dos temas em discussão… mas afirmar que a assinatura de um acordo é iminente é algo que ninguém pode sustentar”, comentou o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei.
Ele reiterou que o país não abre mão de manter o controle sobre o tráfego no estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás, com a cobrança de taxas, o que é rechaçado pelos norte-americanos.
“Os serviços prestados, ou seja, os serviços de navegação, assim como as medidas necessárias para proteger o meio ambiente do estreito de Hormuz, do golfo Pérsico e do mar de Omã exigem a cobrança de certas taxas”, disse o porta-voz.
Segundo reportagem da agência Reuters, o principal negociador iraniano e o ministro das Relações Exteriores do país, respectivamente Mohammad Bagher Walibaf e Abbas Araqchi, viajaram a Doha nesta segunda para conversar com o primeiro-ministro do Qatar sobre um possível acordo. As discussões estão focadas principalmente em Hormuz e no estoque de urânio enriquecido do Irã.
Ainda que o cenário permaneça nebuloso, os investidores têm demonstrado otimismo. “Os mercados iniciam a semana em ambiente de menor liquidez, diante do feriado do Memorial Day nos Estados Unidos e de bolsas fechadas em parte da Europa e Ásia, mas sustentados por um viés construtivo em relação ao Oriente Médio”, afirmou o analista Gabriel Mollo, da Daycoval Corretora.
“O mercado passou a comprar com mais convicção a tese de descompressão geopolítica após novas sinalizações de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã para reabertura do Estreito de Hormuz e ampliação do cessar-fogo.”
Segundo o analista, apesar de pontos centrais do acordo continuarem indefinidos, o mercado parece disposto a operar a direção do fluxo antes da confirmação formal do acordo, reduzindo prêmios de risco em petróleo e inflação global.
Nesse contexto, o preço do petróleo Brent chegou a despencar 6% nesta manhã, chegando a US$ 94,10, o valor mais baixo desde 22 de abril, quando atingiu US$ 91,42.
A pressão sobre as cotações do petróleo aumenta as incertezas sobre as cadeias globais de insumos, que podem forçar um repique inflacionário global e, por consequência, a manutenção das taxas de juros de algumas das principais economias do mundo em patamar restritivo.
O conflito já tem afetado as decisões de política monetária do Brasil e dos Estados Unidos. Em abril, o Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano) manteve a taxa de juros entre 3,5% e 3,75% pela terceira reunião consecutiva, citando incertezas com a guerra. No Brasil, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) reduziu a Selic para 14,5% ao ano, mas evitou sinalizar cortes futuros.
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