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Dólar mais fraco, porém mantendo hegemonia, é o combo inviável de Trump

Dólar mais fraco, porém mantendo hegemonia, é o combo inviável de Trump


Outro canal de enfraquecimento do dólar deriva dos ataques à independência do Fed (Federal Reserve, banco central americano). Trump ameaça demitir o presidente do Fed, Jerome Powell, antes do término de seu mandato, que termina em fins de 2026, porque Powell estaria sendo lento em cortar as taxas de juros de referência. Ao querer impor juros mais baixos e intervindo no Fed, Trump, na prática, enfraquece o dólar, desviando aplicações financeiras para outros mercados.

Um terceiro canal de desvalorização do dólar vem da política fiscal. Apesar das menções em favor da redução dos déficits públicos, as medidas fiscais de Trump, com redução de impostos para os mais ricos e aumento de gastos públicos em áreas como defesa, aprofundam o buraco fiscal. As projeções são de que o déficit público, em 2025, chegará a imensos US$ 2 trilhões, o que representaria quase 7% do PIB (Produto Interno Bruto).

Tem de fato ocorrido uma desvalorização do dólar ante outras moedas, desde a posse de Trump, em janeiro de 2025. O índice DXY, que mede a relação da moeda americana com uma cesta de outras moedas — euro (com quase 60% do total), libra esterlina, dólar canadense, coroa sueca e franco suíço — caiu 9% até meados de julho e recuou 6,7% nos últimos 12 meses.

Apesar das ações que tendem a promover desvalorizações do dólar, Trump tem insistido em ameaçar impor sanções pesadas a quem ousar contestar a hegemonia do dólar na economia global. Um exemplo evidente e explícito pode ser encontrado nos ataques ao Brics, o grupo de países liderados pela China e do qual o Brasil é membro fundador, que declaradamente busca alternativas ao dólar no comércio internacional.

Movimentos de vendas de títulos do Tesouro americano pela China e outros países, sobretudo depois da invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, e de sanções comerciais à Rússia, se acentuaram no primeiro semestre de 2025, em reação às ameaças e efetiva imposição de tarifas e sanções por Trump às exportações para os Estados Unidos dos países do Brics, China na linha de frente.

Para Trump, perder a hegemonia do dólar seria como “perder uma guerra mundial. Segundo ele, o dólar deve permanecer como moeda de reserva mundial “pelas próximas gerações”.



Fonte: UOL

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