O pré-candidato ao governo de São Paulo e ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou, na quarta-feira, 13, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “sempre foi contra” a chamada “taxa das blusinhas”. A declaração foi feita a jornalistas após uma roda de conversa na Casa de Portugal, na capital paulista.
Após desgastes na aprovação do governo federal, Lula assinou, na terça-feira, 12, uma Medida Provisória (MP) que zera o imposto federal sobre mercadorias importadas de até US$ 50. A cobrança começou em agosto de 2024, após a aprovação de uma lei pelo Congresso Nacional. O governo já vinha se mostrando dividido em relação ao tributo, com alguns ministros defendendo o fim da cobrança.
“Todo o Congresso Nacional votou a favor, e a condição para o presidente Lula sancionar era que fosse unânime. E foi unânime a votação no Congresso. Só que, depois que foi aprovado, nenhum desses atores defendeu a proposta”, explicou Haddad.
O ex-ministro disse ainda que o governo passou dois anos tendo de defender uma posição enquanto, segundo ele, setores favoráveis à proposta se omitiram do debate. Na avaliação do petista, o presidente voltou agora à sua posição original sobre o tema.
Haddad avalia que a retirada da taxa vai “abrir o debate” e afirmou que os demais responsáveis pela aprovação da cobrança se omitiram. Segundo ele, o Legislativo, os governadores e representantes da indústria e do comércio construíram uma unanimidade em torno do imposto junto ao governo federal.
“A única pessoa que foi responsável, do ponto de vista do interesse público, foi o presidente da República aqui”, continuou Haddad. “Sendo contra, deu o braço a torcer diante da unanimidade dos governadores e congressistas, mas ficou sozinho, ficou isolado na defesa dessa proposta. E tomou a decisão que era sua posição original desde o começo.”
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