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o que o Brasil realmente ganha com o Brics

o que o Brasil realmente ganha com o Brics


Mas será que o Brics tem, na prática, o peso que os discursos — oficiais e populares, favoráveis ou críticos — lhe atribuem?

Ao longo dos últimos meses, durante a produção da nova temporada do projeto Vale a Pena Perguntar, série de minidocumentários que desenvolvemos para a Fundação Fernando Henrique Cardoso, pesquisamos e entrevistamos especialistas — Ana Garcia, Fernanda Magnotta, Guilherme Casarões, Marianna Albuquerque, Larissa Basso e Pedro Dallari — sobre este instigante tema, para fazer uma ponte entre a pesquisa acadêmica e o público geral. Resumimos a seguir alguns insights:

Brasil no bloco

Ao integrar o Brics como país fundador em um momento de ascensão econômica em 2009, o Brasil viu sua autoestima nacional fortalecida e sua voz ganhar projeção internacional, alimentando a expectativa de que mudaria de patamar na ordem global. As expectativas de crescimento econômico do bloco desde sua criação foram atingidas apenas parcialmente. Se, em um primeiro momento, o fator econômico parecia central, com o tempo, vieram à tona as aspirações geopolíticas em um grupo marcado por diferenças significativas.

A participação do Brasil no Brics revela os dilemas de uma política externa que busca equilíbrio entre princípios e pragmatismo. Como uma democracia que preza pelos direitos humanos e pelo respeito à ordem internacional, o país se vê em posição delicada dentro de um grupo que hoje inclui potências autoritárias como China, Rússia e Irã. Questões sensíveis, como direitos humanos e meio ambiente, acabam ficando fora da agenda do bloco justamente por falta de consenso entre os membros.

Por outro lado, integrar o Brics significa lutar ativamente por um redesenho da ordem internacional que seja mais igualitário e defender o interesse de países em desenvolvimento que foram tradicionalmente excluídos dos espaços de decisão dos fóruns multilaterais, como o Conselho de Segurança da ONU. Além da causa legítima, que ganha cada vez mais força, é também um raro espaço estratégico de encontro anual de líderes onde o Brasil pode avançar seus interesses em conjunto com outros países do Sul Global.



Fonte: UOL

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