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Qual a “marca” do governo Lula?

Qual a “marca” do governo Lula?


O segundo mandato de Lula somou a essa inclusão social um ciclo mais robusto de crescimento econômico, associado a maior protagonismo do Estado e a um reconhecimento internacional inédito. Lula tornou-se personagem global, e havia no país uma sensação de confiança no futuro e de ascensão social.

Mas o Brasil do Lula 3 é muito diferente daquele de 2010. É um país polarizado, atravessado por crises econômicas recentes e instabilidades institucionais acumuladas ao longo da última década. O governo opera sob condições muito mais difíceis: juros persistentemente altos, maior rigidez orçamentária, demanda social reprimida e necessidade de reconstruir políticas públicas após anos de austeridade.

Ainda assim, os resultados econômicos são positivos: crescimento acima do esperado, desemprego historicamente baixo e redução da pobreza. O problema é transformar esses números em narrativa política. Como observaram Laura Carvalho e Guilherme Klein, existe hoje uma distância entre indicadores macroeconômicos e sentimento popular. Os resultados já não se convertem automaticamente em um horizonte coletivo capaz de responder à chamada “economia das aspirações”.

Novas rodadas dos mesmos programas sociais já não possuem a potência simbólica de antes. O desafio é dialogar com as aspirações contemporâneas da sociedade brasileira e responder à crise de sociabilidade do presente. O objetivo é construir uma nova economia que reduza a insegurança, amplie o bem-estar material, fortaleça a proteção social e recupere um sentido de justiça. Só uma agenda ousada de transformação econômica pode enfrentar o sentimento antissistema que alimenta o autoritarismo.

O debate sobre a escala 6×1 mostrou como melhores condições de trabalho dialogam diretamente com as aspirações populares. Outro tema que ganha força é o da economia da vida cotidiana, centrada no bem-estar e na acessibilidade econômica. O momento atual exige maior atenção à redução do custo de vida e à desmercantilização de aspectos essenciais do cotidiano do que à transferência de renda.

Isso significa enfrentar problemas concretos de uma geração marcada por aspirações frustradas: jovens formados que não encontram empregos adequados, salários que crescem menos que os aluguéis, serviços privados caros e precários, endividamento crescente e parcelas cada vez maiores da renda comprometidas com juros e apostas. Não se trata apenas de elevar a renda, mas reconstruir condições materiais de autonomia e estabilidade.



Fonte: UOL

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