Publicado em 26/3/2026 – 14h00
Com o crédito mais caro e o financiamento imobiliário menos acessível, o consórcio voltou ao radar de quem quer comprar um imóvel ou investir. A modalidade, que não cobra juros, tem ganhado espaço entre famílias, investidores e empresas que buscam planejamento financeiro de médio e longo prazo.
Dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios mostram que o volume de créditos no segmento quase quadruplicou desde 2018, com crescimento próximo de 300%. O avanço acompanha um cenário de juros elevados e maior restrição ao crédito tradicional.
Segundo Carlos Fuzinelli, especialista em consórcios imobiliários e sócio-fundador da FVL Consórcios, o movimento está diretamente ligado ao momento econômico.
“Quando o financiamento fica caro e inacessível para parte da população, o consórcio aparece como uma solução viável para quem pode planejar. Ele permite comprar um imóvel sem comprometer a renda com juros elevados”, afirma Fuzinelli.
Além das pessoas físicas, empresas também passaram a utilizar o consórcio como estratégia patrimonial. “Muitas empresas usam o consórcio para transformar despesa em ativo, substituindo aluguel por patrimônio ao longo do tempo”, observa.
Apesar das vantagens, o especialista alerta que a contratação exige atenção. Com o crescimento do setor, aumentou também a oferta de empresas e planos, o que torna essencial analisar bem antes de assinar.
5 pontos críticos antes de entrar em um consórcio
- Defina seu objetivo e prazo: Antes de contratar, é fundamental entender se o consórcio será usado para moradia, investimento ou expansão patrimonial. A modalidade é mais indicada para quem não tem urgência na aquisição.
- Verifique se a administradora é autorizada: A administradora deve ser regulamentada pelo Banco Central, garantindo segurança e transparência no processo.
- Analise a taxa de administração: Apesar de não ter juros, o consórcio cobra taxa de administração. Comparar planos e entender o custo total é essencial para não ter surpresas.
- Busque orientação especializada: “O consórcio não é um produto de prateleira, ele precisa ser desenhado para cada perfil”, ressalta Fuzinelli. Uma consultoria pode ajudar na escolha do grupo e da estratégia de contemplação.
- Entenda as regras de contemplação: Saber como funcionam sorteios, lances e uso da carta de crédito evita frustrações ao longo do plano.
Planejamento é a chave
A expectativa para o setor segue positiva, mesmo em cenários de mudança nos juros. Para o especialista, o consórcio deixou de ser apenas uma alternativa e passou a ocupar um espaço próprio no planejamento financeiro.
“O sonho da casa própria continua vivo, mas agora passa cada vez mais pelo planejamento. E o consórcio se encaixa exatamente nesse novo comportamento”, conclui Fuzinelli.
Share this content:
