Acordo UE-Mercosul abre caminho para ganhos desmatamento zero
Efeitos antes da assinatura
Mesmo antes de ser formalizado, o acordo já produz efeitos concretos no Brasil, especialmente no avanço de mecanismos de rastreabilidade ambiental. É o que avalia o professor Raoni Rajão, coordenador do Centro Tecnológico de Modelagem Ambiental da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).
“Já houve um efeito positivo que gerou ação de sete estados para avançar na adoção do Selo Verde, uma solução governamental de rastreabilidade, inclusive desenvolvida pela UFMG. Esse sistema pode ser usado por vários mercados, não apenas pela União Europeia”, diz Rajão.
Otimismo após duas décadas
Na última segunda-feira, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou estar otimista com o desfecho das negociações. Segundo Alckmin, em um contexto de guerras, conflitos, instabilidade geopolítica (como a intervenção dos EUA na Venezuela) e o avanço do protecionismo, o acordo tende a se tornar o maior tratado comercial do mundo, reunindo um mercado de mais de 700 milhões de consumidores.
Para reduzir resistências, a Comissão Europeia convocou reuniões com ministros da Agricultura e colocou na mesa salvaguardas comerciais, controles mais rígidos sobre resíduos de pesticidas e a promessa de reforço do financiamento agrícola no próximo orçamento plurianual do bloco. O principal temor, sobretudo na França e na Itália, é o impacto de commodities sul-americanas mais baratas, como carne bovina, açúcar e soja, sobre produtores locais.
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