Bianco diz que Bolsonaro o indagou sobre contestar eleição – 29/05/2025 – Poder
O ex-ministro da AGU (Advocacia-Geral da União) Bruno Bianco disse nesta quinta-feira ao STF (Supremo Tribunal Federal) que o ex-presidente Jair Bolsonaro perguntou a ele se haveria meios jurídicos para questionar o resultado das eleições de 2022.
O encontro teria ocorrido na presença dos comandantes das Forças Armadas.
A defesa do ex-ministro Anderson Torres incluiu ex-ministros de seu governo para prestar depoimentos como testemunhas no processo em que o político é réu sob a acusação de crimes contra o Estado.
“O presidente da República foi específico sobre como havia ocorrido o pleito eleitoral, me perguntou se havia problema jurídico, se vislumbrava algum problema ou algo que pudesse ser questionado. Eu disse que foi absolutamente transparente e essas foram as minhas considerações, e o presidente, pelo menos na minha frente, se deu por satisfeito”, disse Bianco.
Ainda de acordo com o relato dele, Bolsonaro o chamou no Palácio do Planalto e a conversa teria sido rápida. “Salvo melhor juízo estava no palácio (…), mas o presidente me perguntou até em pé e foi uma interação bastante breve. Eu até pensei que estávamos para falar de transição”, afirmou Bianco.
A audiência no Supremo nesta quinta-feira (29) previa a participação dos ex-ministro Bruno Bianco (AGU), Paulo Guedes (Economia), Celio Faria (Secretaria de Governo), Wagner Rosário (CGU) e Adolfo Sachsida (Minas e Energia). O ex-número dois da Advocacia-Geral da União Adler Anaximandro Cruz e Alves também prestraria depoimento.
Os integrantes do governo Bolsonaro foram chamados a depor especialmente para contestar a versão da PGR (Procuradoria-Geral da República) de que uma reunião de julho de 2022 discutia cenários golpistas.
A gravação da reunião foi encontrada pela Polícia Federal entre os arquivos digitais mantidos com o tenente-coronel Mauro Cid. O vídeo mostra o momento em que Anderson Torres recebe a palavra após Bolsonaro levantar discussões golpistas.
“E o exemplo da Bolívia é o grande exemplo pra todos nós. Senhores, todos vão se foder! Eu quero deixar bem claro isso”, disse Torres.
O Supremo entra nesta quinta no nono dia de audiências para ouvir as testemunhas do processo sobre a tentativa de golpe de Estado. O tribunal tem reservado mais dois dias para os depoimentos.
Na Presidência, Bolsonaro acumulou uma série de declarações golpistas às claras, provocou crises entre os Poderes, colocou em xeque a realização das eleições de 2022, ameaçou não cumprir decisões do STF e estimulou com mentiras e ilações uma campanha para desacreditar o sistema eleitoral do país.
Após a derrota para Lula, incentivou a criação e a manutenção dos acampamentos golpistas que se alastraram pelo país e deram origem aos ataques do 8 de Janeiro.
Nesse mesmo período, adotou conduta que contribuiu para manter seus apoiadores esperançosos de que permaneceria no poder e, como ele mesmo admitiu publicamente, reuniu-se com militares e assessores próximos para discutir formas de intervir no TSE e anular as eleições.
Saudosista da ditadura militar (1964-1985) e de seus métodos antidemocráticos e de tortura, o ex-presidente já foi condenado pelo TSE por ataques e mentiras sobre o sistema eleitoral e é réu no STF sob a acusação de ter liderado a trama golpista de 2022. Hoje está inelegível ao menos até 2030.
Caso seja condenado pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio público e deterioração do patrimônio tombado, a pena pode passar de 40 anos de prisão.
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