Cadeia para a quadrilha da Covid – 21/09/2025 – Marcelo Leite

Cadeia Para A Quadrilha Da Covid - 21/09/2025 - Marcelo Leite

Cadeia para a quadrilha da Covid – 21/09/2025 – Marcelo Leite


Prevaricação. Charlatanismo. Epidemia com resultado morte. Infração a medidas sanitárias preventivas. Emprego irregular de verba pública. Incitação ao crime. Falsificação de documentos particulares. Crimes de responsabilidade. Delitos contra a humanidade (extermínio, perseguição e outros atos desumanos).

A novena criminal foi imputada a Jair Bolsonaro (PL) no indiciamento pela CPI da Covid, há quatro anos. Seu esbirro na Procuradoria-Geral da República, Augusto Aras, fingiu que não era com ele. Onde estará homiziado o prevaricador-geral?

Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou à Polícia Federal reabrir e investigar o caso. Enfim. Restaura-se o imperativo civilizatório de julgar o maior crime do inelegível apenado pelo delito menor —à sombra das 700 mil mortes— de organizar um golpe de Estado.

Só 24 dos 80 indiciados no Congresso estão arrolados no inquérito. Gente da laia de Osmar Terra (PL-RS), Bia Kicis (PL-DF), Carla Zambelli (PL-SP), Carlos Jordy (PL-RJ), Ricardo Barros (PP-PR). Centrão-direitão, né?

Teriam conspirado ainda Onyx Lorenzoni, Ernesto Araújo, Filipe Martins, Tercio Arnaud Tomaz, Hélio Angotti Neto, Carlos Wizard, Luciano Hang, Hélcio Bruno de Almeida, Allan dos Santos, Oswaldo Eustáquio, Bernardo Kuster, Paulo Eneas, Richard Pozzer, Leandro Ruschel e Otávio Fakhoury. Se gritar “pega-golpista”…

Do Ricardo Barros todos se lembram, ou deveriam: o ex-ministro da Saúde de Michel Temer e líder do governo Bolsonaro enrolou-se no escândalo de corrupção com imunizantes Covaxin. Um subordinado animou-se cobrar um dólar por dose de vacina (a ideologia antivaxxer só vai até onde aparece chance de locupletar-se).

Barros é engenheiro, mais dedicado a cifras e negócios que à saúde alheia. Sabe-se lá o que deu na cabeça de Temer ao instalar a figura famigerada do Parlamento na pasta com orçamento bilionário destinado à promoção do bem-estar populacional.

Pior é a condição do deputado Osmar Terra. O propagandista-mor no Congresso é médico. Acredite quem quiser que os conselhos da corporação, tão ciosos da alegada ética profissional contra pobres colegas cubanos, tomarão alguma medida contra quem contribuiu mais para sacrificar do que salvar vidas na pandemia.

Coberto com o manto de impunidade que parlamentares costuram dia e noite para si, Terra não se cansa de chutar cachorro morto. Ou, pior dizendo, as vítimas de Covid ridicularizadas pelo presidente arfante e condenado dodói que ainda apoia.

Uma pesquisa sobre o que o gaúcho anda fazendo o flagrará na reincidência. Em agosto, por exemplo, deu entrevista ao programa Painel Eletrônico da Rádio Câmara convidando para uma audiência na Comissão de Saúde da casa voltada, como disse, a romper “zona de silêncio de cinco anos” na imprensa sobre a Covid.

Defende que pandemia não é só assunto de epidemiologia, mas de economia. Continua pondo em dúvida a eficácia do isolamento social e das vacinas, que não deveriam ser obrigatórias. Opina que o contágio recuou por força da “imunidade natural dos curados”.

Derrama mimimi ao microfone por não ser mais entrevistado, em queixume delinquente para sair do anonimato mais que merecido —uma pena leve.


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Fonte: Folha de São Paulo

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