Como uma engenheira civil ‘cuida’ da saúde mental de 3,5 mi de brasileiros · Economia Real

Como Uma Engenheira Civil 'Cuida' Da Saúde Mental De 3,5 Mi De Brasileiros · Economia Real

Como uma engenheira civil ‘cuida’ da saúde mental de 3,5 mi de brasileiros · Economia Real


Tatiana Pimenta trocou a prancheta de engenheira civil e o crachá de grandes multinacionais para empreender no universo da saúde mental. Após um episódio de depressão e uma reviravolta pessoal, fundou a Vittude, plataforma que conecta psicólogos a pacientes e já ultrapassou a marca de 3,5 milhões de pessoas beneficiadas.

“Passei por uma depressão em 2012 e tive muita dificuldade de encontrar ajuda. Mais tarde, quando percebi o potencial da tecnologia para ampliar o acesso e transformar o cuidado, decidi que queria empreender nesse setor. Saí do mundo corporativo para criar algo que não existia no Brasil”, relembra Tatiana, fundadora e CEO da Vittude, em entrevista ao Economia Real.

A ideia começou a tomar forma em 2016, após uma conversa com especialistas em inovação em saúde. Na época, Tatiana percebeu que passava horas no trânsito para chegar às sessões de terapia e que isso poderia ser resolvido de forma online.

Assim nasceu a primeira versão da Vittude, um marketplace voltado ao cliente final (B2C) que, pouco tempo depois, migraria para o modelo corporativo (B2B). A mudança de foco ganhou tração durante a pandemia. No entanto, o retorno à normalidade mostrou que muitas empresas ainda viam a saúde mental corporativa como algo temporário.

Esse cenário levou Tatiana e sua equipe a investir em diagnósticos organizacionais e criar ferramentas próprias para medir estresse, propensão ao burnout e segurança psicológica.

A gente já falava sobre gestão de risco psicossocial há anos, antes mesmo da NR-1 existir”, afirma a empreendedora ao citar a Norma Regulamentadora Nº 1 (NR-1), que exige o gerenciamento de riscos psicossociais nas empresas.

Para Tatiana, cumprir a norma exige mais que ações pontuais. “Você não gerencia o que não mede. Antes de qualquer plano de ação, é preciso mapear perigos e avaliar riscos. Muitas empresas já saem contratando soluções sem nem saber qual problema querem resolver, e isso gera multas”, alerta.

Com tecnologia proprietária, a Vittude cruza dados de saúde com indicadores organizacionais e entrega um inventário detalhado de riscos, além de medidas de controle priorizando a eliminação das causas. “Se existe sobrecarga, é porque falta gente. Sala de descompressão não resolve. O governo quer que o risco seja eliminado”, reforça a CEO.

Hoje, a Vittude já alcançou o breakeven, atende empresas de diversos setores e projeta crescimento diante do aumento dos afastamentos por transtornos mentais, que podem superar 600 mil casos em 2025. “O cuidado com a saúde mental deixou de ser opcional. É questão de produtividade, sustentabilidade e conformidade legal. Quem não olhar para isso agora, vai pagar mais caro depois”, conclui Tatiana.



Fonte: UOL

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