Inflação deverá estourar o teto no 1º período do novo modelo de meta
A meta para o IPCA definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) é de 3% para 12 meses. Existe uma tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Descumprimento por seis meses consecutivos, que obriga o BC a se explicar, será o primeiro desde a adoção do novo modelo de metas. O novo sistema estabelece que a meta seja aferida mensalmente pelas variações do IPCA no acumulado dos 12 meses. Caso o rompimento do intervalo persista por seis meses seguidos, o BC precisa se justificar e dar um prazo para devolver a inflação à meta.
Estouro prolongado é explicado pelo aquecimento da economia. O recente avanço da atividade econômica, o desemprego no menor nível da história, o aumento da concessão de crédito e a adoção de medidas fiscais expansivas influenciaram a manutenção do IPCA acima do teto da meta nos últimos meses. Os especialistas ouvidos pelo UOL explicam que o cenário é determinante para elevar a demanda por bens e serviços e estimular a inflação.
O principal responsável pelo descumprimento da meta é um quadro de superaquecimento da atividade que, na ausência de choques que o compensassem, resultou em descumprimento da meta agora e, provavelmente, levará ao descumprimento ainda pelos próximos 12 ou 18 meses.
Homero Guizzo, economista da Terra Investimentos
Meta foi descumprida três vezes nos últimos quatro anos. O estouro no modelo contínuo vai repetir o cenário observado em 2021, 2022 e 2024. Nos três anos, a inflação superou o limite em, respectivamente, 4,81 pontos percentuais (10,06%, ante teto de 5,25%), 0,79 ponto percentual (5,79%, ante limite de 5%) e 0,33 ponto percentual (4,84, ante teto de 4,5%).
Alimentos assumiram o papel de vilões das famílias neste ano. A inflação da comida acumula alta de 3,88% de janeiro a maio e de 7,33% em 12 meses. Também pesou para o desempenho recente do IPCA o retorno do custo extra sobre as contas de luz.
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