Menores de 2 anos vivem pandemia de Covid pela 1ª vez – 03/09/2025 – Equilíbrio e Saúde

Menores De 2 Anos Vivem Pandemia De Covid Pela 1ª Vez - 03/09/2025 - Equilíbrio E Saúde

Menores de 2 anos vivem pandemia de Covid pela 1ª vez – 03/09/2025 – Equilíbrio e Saúde


Menores de dois anos, sem imunidade contra a Covid, enfrentam a pandemia pela primeira vez. A afirmação foi dada pelo presidente da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), Alberto Chebabo, nesta quarta-feira (3), durante a 27ª Jornada Nacional de Imunizações, em São Paulo.

“Sem a vacina, essas crianças são atualmente o que nós fomos em 2020. Estão sujeitas às complicações e mortes como nós naquele ano, quando também não tínhamos nenhuma imunidade contra o coronavírus. É de se esperar que essa população sofra o que nós sofremos em 2020 e em 2021”, diz o infectologista.

Crianças até seis meses não podem ser vacinadas e dependem exclusivamente da transferência de anticorpos maternos.

“A vacinação na gestante estimula a produção de anticorpos. Há uma transferência placentária dos anticorpos para o bebê e eles mantêm a proteção por seis meses, quando as crianças podem ser vacinadas na rede pública. É importante vacinar as gestantes e as crianças. Há pelo menos oito estados brasileiros com aumento nos casos de Covid e certamente isso vai espalhar porque é o caminho natural”, diz Alberto Chebabo.

O PNI (Programa Nacional de Imunização) disponibiliza no SUS vacinas contra a Covid para crianças de seis meses a 4 anos, 11 meses e 29 dias, pessoas a partir de 60 anos, indivíduos imunossuprimidos (a partir de seis meses), pessoas com comorbidades não imunossupressoras (a partir de 5 anos) e grávidas em qualquer momento da gestação.

Entre os riscos da doença nas crianças e nos adolescentes estão a Covid longa (pode acometer 25% deste público), a SIM-P (síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica), miocardite e diabetes.

Assim como os menores de dois anos, os idosos são mais suscetíveis a complicações e óbitos por Covid.

O especialista relaciona a alta nos números à circulação da nova variante, chamada de XFG. A cepa é monitorada pela OMS (Organização Mundial da Saúde). A XFG é resultado da recombinação de duas linhagens: LF.7 e LP.8.1.2 —esta última já vinha se tornando dominante globalmente. Ambas descendem da Ômicron, assim como a JN.1.

A vacina da Covid em uso no Brasil no momento oferece proteção contra a XFG. “Ela tem uma cobertura cruzada, porque essa nova variante é derivada da JN.1, que é a cepa que está na vacina”, explica Chebabo.

De acordo com o informe da Vigilância das Síndromes Gripais do Ministério da Saúde, de janeiro a 23 de agosto de 2025, o Brasil registrou 6.257 casos de Srag (Síndrome Respiratória Aguda Grave) por Covid. Destes, 1.470 ocorreram nos menores de dois anos e 2.914 nas pessoas com 65 anos ou mais. Nas demais faixas, os números são inferiores.

Em relação às mortes, no mesmo período, houve 962: 33 crianças com idades inferior a 2 anos e 693 nos idosos com 65 anos ou mais.

Para o presidente da SBI, faltam campanhas contra as fake news. “É muito fácil espalhar fake news e as pessoas acreditam. Hoje você tem um terreno livre nas redes sociais que permite a rápida disseminação de notícias falsas. Se não tivermos campanhas de esclarecimento mostrando as evidências científicas que corroboram com o que a gente propõe de benefício da vacinação, essas fake news acabam ganhando espaço e convencendo pelo menos parte da população”, argumenta Alberto Chebabo.

Na opinião do especialista, a condução da saúde nos Estados Unidos pelo Robert F. Kennedy Jr, secretário de Saúde do governo Trump, pode piorar a disseminação de fake news pelos antivacinas no Brasil. O político destruiu comitês de supervisão, semeou dúvidas sobre ciência e limitou acesso a imunizantes.

Para Eder Gatti, diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, lideranças mundiais com discursos negacionistas e anticiência preocupa.

“Toda a máquina de publicidade e de comunicação do Ministério da Saúde está voltada à promoção da vacinação. O ministério tem estado presente em campanhas de comunicação sobre vacinação, tanto é que estamos melhorando a cobertura vacinal no nosso país”, afirmou.

Com relação à desinformação, Gatti disse que existe uma frente no governo que monitora e põe em prática uma estratégia de combate. “Mas isso é complexo, porque quando trabalhamos com uma voz oficial, nós temos que obedecer alguns ritos, nós temos que ter um compromisso muito firme com a verdade”, disse.



Fonte: Folha de São Paulo

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