Mesmo com freio no PIB, emprego forte fará Copom esperar para cortar juros

Mesmo com freio no PIB, emprego forte fará Copom esperar para cortar juros


Uma das explicações para a cautela prevista na redução dos juros veio a público nesta terça-feira (16), com a divulgação dos resultados da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), no trimestre encerrado em julho. O desemprego desceu ao nível histórico mais baixo desde o início da pesquisa e tanto a renda mensal quanto a massa de rendimentos na economia bateram recordes de alta.

O mercado de trabalho “resiliente”, como já se tornou jargão, influencia positivamente a atividade econômica e mantém pressões sobre a marcha da inflação. Renda em alta atua sobretudo em favor da atividade no setor de serviços, cujos preços são menos dependentes das oscilações na cotação do dólar. A evolução dos preços no setor de serviços, por isso mesmo, merecem atenção especial do Copom.

Chama a atenção que o mercado de trabalho esteja bombando, numa fase de evidente freio na atividade econômica. Não só o desemprego está nas mínimas históricas, mas também a ocupação está nas máximas, enquanto a subutilização da mão de obra e o desalento (pessoas em idade de trabalhar que desistiram de procurar ocupação) recuam.

Mas há um freio muito claro na atividade econômica, sob efeitos de uma taxa de juros muito alta, em período já prolongado, derrubando o crédito, um dos canais de expansão dos negócios. Em julho, o IBC-Br (Índice de Atividade), calculado mensalmente pelo Banco Central, divulgado nesta segunda-feira (15), registrou o terceiro recuo seguido.

Essa situação, aparentemente paradoxal, é relativamente comum. Uma das características do mercado de trabalho é a de que ele é o último a reagir a alterações no ambiente econômico. Os empregadores demoram a perceber as mudanças de rumo da economia, tanto na direção de altas na atividade quando na de baixa. As contratações, por isso, demoram a ganhar ritmo quando a economia começa a ficar aquecida, assim como as demissões não ocorrem já no início da fase de queda da atividade.

No caso brasileiro atual, as injeções de recursos provenientes de gastos públicos, com destaque para programas sociais, configura um impulso adicional à atividade e à manutenção ou mesmo ampliação dos empregos, reforçando a resistência do mercado de trabalho.



Fonte: UOL

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