Whindersson Nunes: Adultos podem descobrir superdotação – 10/08/2025 – Equilíbrio

Whindersson Nunes: Adultos Podem Descobrir Superdotação - 10/08/2025 - Equilíbrio

Whindersson Nunes: Adultos podem descobrir superdotação – 10/08/2025 – Equilíbrio


Quando se fala em superdotados, é comum que se pense em crianças muito inteligentes, com alto desempenho acadêmico e que não dão trabalho para os pais. Mas e quando um adulto é identificado com superdotação e altas habilidades?

O influenciador Whindersson Nunes, 30, disse em entrevista ao Fantástico (Globo) que foi identificado como superdotado neste ano, quando estava internado em uma clínica psiquiátrica, após uma crise de depressão e de dependência em álcool. Ele disse ter compreendido agora sua personalidade forte e seus sentimentos muito aflorados.

Julia Negreiros, psicóloga e doutoranda em Avaliação Psicológica pela PUC-Campinas (Pontifícia Universidade Católica de Campinas), diz que adultos podem receber a identificação e que isso comumente acontece em situações de instabilidade emocional. Segundo ela, é justamente a falta de compreensão que facilita a ocorrência de crises emocionais.

Identificação na infância

No mundo ideal, a identificação acontece ainda na infância, em três etapas, segundo Negreiros. Na primeira, de triagem, pais e professores percebem indicativos da superdotação na criança. Ela pode demonstrar atenção prolongada, capacidade de resolver problemas e habilidades de memória acima da média para a idade.

Na segunda etapa, a criança passa por uma avaliação neuropsicológica, em que é feita uma investigação completa do seu perfil, desde o aspecto cognitivo até mesmo de personalidade e de habilidades sociais. O teste é feito por neuropsicólogos.

Se a criança é identificada ainda na primeira infância, ela pode receber acompanhamento educacional adequado para desenvolver suas habilidades.

Adultos superdotados

Segundo Negreiros , adultos são identificados muitas vezes porque desenvolveram questões emocionais ou porque se sentem perdidos: “Ao fazer uma avaliação, ou porque estão com ansiedade, depressão ou porque acham que são autistas, se descobrem superdotados”. Também há descobertas quando os filhos são avaliados, segundo ela.

Mundialmente, há uma grande subnotificação de casos. No Brasil, cerca de 2,6 mil pessoas foram identificadas até agora pela Mensa, organização internacional que reúne pessoas com alto QI (quociente de inteligência). No entanto, a mesma organização estima que cerca de 2% da população mundial seja superdotada, o que sugeriria em torno de 4 milhões de identificações no país.

Não é só inteligência

Os primeiros estudos sobre superdotação, de estudiosos como Francis Galton, surgiram no final do século 19. Eles associavam a condição a fatores hereditários e à “genialidade inata”.

Foi com o trabalho de Lewis Terman que o tema foi cientificamente reconhecido. A partir dos trabalhos de Binet, Terman deu origem ao primeiro teste para medir o QI, e assim definiu que os sujeitos com superdotação eram aqueles que apresentavam um QI acima de 135.

“Aí começa o mito de que superdotados são gênios, que não precisam de ajuda e não apresentam problemas socioemocionais”, diz Negreiros, que pesquisa o tema.

A ampliação do conceito começou a ganhar força nos anos 1970, com o Modelo dos Três Anéis, proposto em 1978 pelo psicólogo americano Joseph Renzulli, que definiu a superdotação como a interação entre habilidade acima da média, criatividade e envolvimento na tarefa.

A partir daí, programas educacionais e pesquisas em superdotação passaram a incluir também talentos artísticos, liderança, habilidades psicomotoras e fatores sociais e culturais.

Questões emocionais

Pessoas com superdotação possuem também emoções afloradas, o que estudiosos chamam de “sobre-exitabilidade”. Contudo, não existe um consenso científico sobre o que elas representam para os superdotados. Ora tais características são consideradas fatores de proteção, ora fonte de vulnerabilidade.

Alguns estudos indicam que crianças e jovens superdotados têm maior propensão a dificuldades emocionais e sociais, o que poderia levar ao desenvolvimento de problemas como isolamento, estresse, ansiedade, transtornos de humor, baixa autoestima e perfeccionismo.

Por outro lado, pesquisadores dizem que a superdotação pode se caracterizar como um fator de proteção, facilitando a adaptação destes jovens. Nessa visão, os superdotados seriam socialmente e emocionalmente iguais ou melhores do que as pessoas da mesma idade.

Negreiros diz que estas questões podem depender da ausência de atendimento: “Se eu sou uma pessoa identificada, que já recebi um atendimento, me compreendi e fui estimulada dentro da minha área, eu consigo ter um melhor desenvolvimento socioemocional. Isso não acontece se não há a identificação.”



Fonte: Folha de São Paulo

Share this content:

Publicar comentário