Dólar cai 7,5% em 2026 e pode ficar abaixo de R$ 5
Juros altos atraem capital financeiro. O Brasil tem a segunda maior taxa real de juros do mundo, na casa de 9,5%, considerando a taxa básica de juros e descontando a inflação oficial do país. Para comparar, no México, a taxa real de juros é da ordem de 5,5%; nos Estados Unidos, não chega a 1%. Assim, quem aplica no mercado brasileiro tem, de largada, a garantia de apurar ganhos na renda fixa bem maiores que em outras economias, sejam elas desenvolvidas, como a americana, sejam elas emergentes, como a mexicana.
Distância de conflito favorece Brasil. Com o início da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã, o Brasil passou a contar com mais uma vantagem competitiva ante outros países para atrair recursos: a distância geográfica e política do conflito.
Riqueza em commodities favorece atração de mais dólares. Com a guerra, o petróleo e outras commodities energéticas passaram a subir a preços mais elevados em quatro anos. O barril do petróleo, por exemplo, saltou de US$ 72 para mais de US$ 110. Esse movimento ressalta uma histórica vantagem competitiva da economia brasileira: a de ser um dos maiores fornecedores mundiais desses produtos.
Embora seja complicado cravar, na vírgula, até que ponto essa queda do dólar pode se estender, há de fato uma força acima do comum do real nessas últimas sessões, principalmente. Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da Stonex
Fatores que alimentam valorização do real ante o dólar continuam dominando cenário. Segundo profissionais de mercado, mesmo após o primeiro corte de juros pelo Banco Central em quase dois anos, a taxa básica de juros brasileira continua sendo capaz de entregar aos investidores mundiais um rendimento maior que de outras economias. Nas projeções mais otimistas, a Selic fecha o ano em 12%, com uma inflação da ordem de 4%, ou seja, uma taxa real de juros ainda perto de 8%.
Guerra destacou posição do Brasil em relação a outros países de juros mais elevados. A Turquia, por exemplo, que historicamente disputa com o Brasil recursos de investidores financeiros que alocam em países emergentes, oferece uma taxa real de juros da ordem de 9%, mas está muito próxima ao conflito na Ásia Ocidental, em termos geográficos e políticos, dizem analistas. Em 2021, por exemplo, o câmbio no Brasil oscilou entre R$ 4,61, na mínima do ano, e R$ 5,72, na máxima.
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